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Obrigado Não!

  • anozmundo
  • 29 de jan.
  • 3 min de leitura

[por Adriano A. Barboza] ----- (20/10/25) -----


Doar em Ação é Amar


(Obrigado não!)

Há palavras que, de tão gastas, esquecem o gesto que as fez nascer.“Obrigado” é uma delas — quase dever, mas nascida do dom.Doar não é apenas entregar: é habitar o que há de divino no encontro.Entre o mar e o lar, entre o eu e o nós, este poema busca esse lugar onde o amor é verbo em travessia.

 

Obrigado Não!


(prosa poética)


Obrigado não é obrigação — é quase um dever, mas um dever leve, pago sem mágoa. É uma canção fluida que se habita de mar, de tudo. É tudo aquilo que eu queria te dar.


E Deus? É tudo, nós e um pouco mais. No nosso caso, são vários “eus” em doar, em doação, para além e dentro do habitar — o habitarejo do rio brejo, a luz que ouvi Chico cantar e Marisa propagar na vila. O arvoredo ainda borda o lar, e nele mora o abrigo que abriga a alma que canta, que doa sem doer mais do que devia. Porque não se deve ser menos do que se é — ser e o é, e é o ser.


É passagem que mostra o mar e você, com Deus — que é mais que a paisagem, além de si, de mim, de nós. É tudo, e isso é mais: um som lúdico, múltiplo e uníssono de anti assombro, além do olhar. Estamos dentro do passo destemido de descobrir um lar que é o mar — e você já sabia disso. Sabia que seria delicado o som do que tenho a dizer: amar. E assim devia ser, mesmo sem sabermos depois, mas sabendo no fundo, de pronto, antes e depois de qualquer pranto.


Você e ela, tudo isso e muito mais, contido e descontínuo nele — dêitico em ser e pedir voragem, em ser apenas grão. Grão de mostarda que será louvar e fé, morada onde tudo sempre esteve e estará — pra lá, muito além do aqui. E aqui é acolá, tudo ao mesmo tempo, em todo lugar.


Sem ancorar outra forma de habitar senão o lítio do devaneio, sendo peito e febre, de doar e dor. Doe, dói, dodói. Missão e missangas, jardim meio cadente e candente, no louvar e olhar labirinto que teme deixar apenas limpo, sem arrancar as enoveladas do lugar. Limpo.

Deus fala — e falou —, e você já sabia disso. Vai lá: tudo é doar e andar. Nada é impreciso, e é preciso que assim também seja. E tudo, no fim, vai dar no bom lugar.


Venhamos conjunto. Venha comigo. Vamos — e estamos amando. Por isso, já dá pedal. Pedala, pétala, pela estrada arbórea e linda. A estrela brilha na manhã advinda — evoé! Sentença de lote, parte em pote. Senta: dá pra cantar. Estou pronto — vamos amar. Já amamos.


Enfim, somos um espelho entre nós e o nó do saber a desatar. Nós somos os “eus” em doação, para doar tudo o que podemos um dia estar sabendo estar — para o agora e o depois disso. E por isso somos partícula minúscula, sim. E por que ser mais, se ao mesmo tempo já se é? Por isso — e mais, agora e doravante — ser mais amante, algo grande como amar em Deus: vários “eus” em doação. Doar em ação é amar.


Imagem: fotografia A.A. Barboza 2025

 

 
 
 

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