Impermanências
- anozmundo
- 28 de jan.
- 3 min de leitura

[por Adriano A. Barboza ] ---
Organizando o material para postagem no blog do site, fiquei pensando que tipo de conteúdo seria mais oportuno para as publicações de abertura, no primeiro dia (domingo, 19/10/25). Lembrando que se pretende, junto a companheiras e companheiros de boa verve, trazer uma leitura interessante sobre coisas — ainda que tais artigos sejam mais especificamente de cunho cultural e voltados ao pensamento. E, nesse caso, cabe tudo, não?
Ao buscar selecionar uma temática, procurei verificar a data de estreia do site — 19 de outubro. Achei importante falar dos propósitos e das chances de se buscar algo em torno daquilo que nos é caro em termos vivenciais, de pensamento crítico e sofisticado — ou nem tanto assim — acerca da vida que queremos levar e do quanto temos de chance de alcançar em curto e médio prazo. Nesse caso, creio que o ideal é trabalhar em todas as esferas: curto, médio e longo prazo. Assim, com o passar do tempo, tudo vai sendo processado em todos os âmbitos, de modo progressivo, alimentando o que se espera.
Creio que o detalhe está aí: o que se espera. E, nesse caso, cabe saber o que é espera e se ainda podemos nos dar ao luxo de esperar em tempos de energia e exigências full time, na lógica do macarrão instantâneo a alimentar sonhos que precisam de muito mais subsídio e energia do que uma mera porção de Lámen industrializado.
O que se espera acontece porque há espaço de falta em nós. Assim, cabe perguntar: o que nos falta enquanto humanos e sujeitos socializados? Posso dizer, sem chance de errar, que nos falta tudo — e ao infinito —, pois, depois de preencher uma lacuna, logo virá a necessidade de outra coisa. Contudo, é correto dizer que nada nos falta, haja vista termos tudo em termos essenciais de espírito e vida. É aí que podemos mudar o jogo, superando questões e circunstâncias, de fato, a ponto encontrar sentidos.
Basta olhar para trás e analisar acerca do que você sempre pôde contar, e aquilo que foi surgindo de modo a compor a vida no momento do agora. Assim, terá na experiência o que realmente é mais significativo para seguir os próximos passos. No entanto, encontramos sempre novas necessidades e a busca infindável pelo conforto. Não há nada de errado em buscá-lo, mas é preciso estar atento à sua dimensão de abrangência e ao seu valor como algo durável — o que se dá mesmo em espírito.
Temos um caminho cujos pontos de limite são o início e o fim. Ficamos a nos perguntar: o que veio antes do nosso nascimento como ser humano ou se quiser ir mais longe, como ser vivo? E o que virá depois do findar desse tempo que se define como concluído em validade de funcionamento ativo?
As respostas serão diversas, de acordo com cada crença, convicção ou plano de voo. Mas o mais importante, ao que parece, é perceber que, depois de executar o movimento de resolução de problemas e projetos em dimensões de tempo e complexidade — sendo progressivo em curto, médio e longo prazo, e também de baixa, média e alta complexidade —, guardam-se potencialidades organizativas e de execução em prol da conquista da resolubilidade. Estas podem se expressar a todo tempo, em alguma instância. Consiste num modo de encontrar saídas sem a necessidade de ficar obcecadamente à procura delas, embora seja necessário interessar-se por conhecer achados — ainda que não tenham sido objetivamente buscados.
E aí, penso que não há ponto de chegada para aquela falta, mas sempre novos pontos de partida. Afinal, o que temos de lembrança na nossa linha histórica é o surgimento. Então, pode-se, sim, buscar realizar-se no perder-se — e encontrar novos cais, de onde navios e barcos partem a todo tempo.
E assim, inicia-se uma jornada, mesmo observando o que está à volta a servir a quem quiser — ou conseguir — ver. Nesse sentido, espero que se possam trazer olhares diversos que façam parte do encontro com os sentidos. Nada que seja pretensioso, mas interessado em partilhar olhares. E isso, por certo, já basta, não acha?
Imagem: “Cascata”, M.C. Escher, 1961, litografia, 38x30cm. Fonte: Wikiart.




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